<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904</id><updated>2011-11-04T05:43:26.681-02:00</updated><title type='text'>Tinindo Trincando</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-1774543962143828019</id><published>2011-10-06T22:25:00.002-03:00</published><updated>2011-10-06T22:44:34.112-03:00</updated><title type='text'>Sobre a mulher que sou.  Sobre o homem que não sou. Sobre o homem que fui. Sobre o mundo que eu queria captar. Sobretudo, sobre a pretensão.</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;Luana Borges&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Hoje eu não escreveria sobre mim. E até quereria que minhas palavras fossem homens. Quereria contar uma dessas histórias repletas de personagens e de ação, criatividade em cada ato. Quereria uma escritura distante da autobiografia. Meu texto não sou eu. Nunca foi. Vocês é que pensam que sim e se deixam levar por minhas histórias que me transcendem. Transcendem-me graças a Deus e graças à palavra que, assim como o deus, não me pertence e me está além. A palavra resvala em outrem. Não fica em mim. Assim reverbera o verbo que também não nasce de mim, que também não me é originário: cato-o no mundo, já repleto de sentidos, e essa é minha profissão. Aos jornalistas, falta o entendimento de que eles devem bordar o texto com cuidado, pesquisando seus fios no emaranhado do mundo. Muito tato e delicadeza, afinal há gente por entre as cordas fiadas. Mas, entre os fios das ruas mundanas, há outra porção de gente que merece mesmo ser enforcada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Há gente ruim. Gente que rouba nosso dinheiro e nossa comida. Esses ladrões comem demais, compram demais, engordam demais, têm ouro demais, brilham demais, espreguiçam demais e pensam de menos. Essa gentinha ruim, que coloca grana em cuecas e em onde mais couber, deixa-nos com tudo de menos – compras, comidas, dinheiro, ouro e até pensamento, porque ninguém pensa demais com fome. “O homem faminto jamais procurará estabelecer uma relação estética com o alimento”&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=1303693122778225904#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Sua privação apenas dá lugar ao desejo de saciar-se rapidamente. Dessa forma, o valor estético, o pensar sentindo, o sentir pensando e a dimensão existencial da arte não o solicitam. É por isso que essa gente que nos rouba dinheiro – corrupção deslavada - rouba-nos também a vida e o sentir, rouba-nos o pensar e a fruição. Rouba-nos os prazeres mínimos vez que fazem com que pensemos apenas na necessidade primeira: o desejo de sobreviver. Quem apenas sobrevive - inspira, expira, inspira, expira - não tem tempo de vagar por reflexões existenciais. Estas nos são roubadas ante as circunstâncias imediatas de uma vida que urge. &amp;nbsp;Então nós, jornalistas, enforcamos, quando dá (a maioria das vezes não dá), os ladrõezinhos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Enforcamo-nos como merecem e sem piedade, a pedido de um não sei quê de cidadania e de justiça. A pedido de nossa revolta (revolta que me faz até ser piegas). O problema é que, às vezes, em nossa sede por fios bem apertados ao redor de pescoços, enforcamos pessoas erradas e não merecedoras de nossa escória. Há gente que não merece a forca em praça pública. Aqui me veio outra divagação: alguém – por mais inescrupuloso – mereceria o cuspe em meio aos flashes? Fica pra outro papo. Esse não é o assunto de nossa prosa. Perdi-me com a ideia de emaranhado de fios nas ruas do mundo, perdi-me porque há gente por entre esses fios e minhas palavras não vêm de mim, elas nascem delas, nascem delas porque eu amo essa gente. Mas ainda não cheguei ao ponto. Quereria que minhas palavras, nesse texto, hoje fossem homens, que em minha história tivesse ação e personagens redondos, que essas linhas que as senhoras e os senhores lêem agora se sucedessem pela relação de causa e efeito e que, sobretudo, ninguém tivesse a audácia de dizer “mas esse texto é você”, tão “confessional”. Não é. É HOMEM. Escrevo apenas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E minha escritura falaria então sobre o homem mais musculoso do mundo. Seria um homem tão salgado – o sal de seu corpo sarado da última corrida, do músculo enrijecido e do cansaço dos últimos abdominais – que os misóginos aplaudiriam sua dureza áspera. Ele se inflaria e se chamaria Francisco. Seria seguro. Cantaria mulheres. Cantaria até morrer. Até morrer, morrer de novo e nascer mulher. Porque, modernizando o que disse ainda em 1952 uma amiga chamada Teresa, se antes a engenharia da mulher era a de saber construir um lar, hoje, além da boa estrutura de nossos lares, também sabemos erguer casas. &amp;nbsp;Casa e lar sobre o nosso domínio. Temos em nós a engenharia de saber fazer concreto e o doce afeto de saber construir atmosferas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em casa de minha avó, o sábado era inteiro bolo de chuva se fazia sol, ou banana quente com canela se chovia muito. Que sabedoria de lar! E o sábado inteiro era meu e de outras crianças. E quando começávamos a ser domingo, ficávamos tristes e com cara de missa, mas logo nos lembrávamos do lar de primos e de vida que nos esperaria no próximo final de semana. A Dona Teresa de que falei há pouco, aquela dos idos de 1950, disse-me, em um texto seu, que uma criança pobre, ao ser inquirida por um homem de bigodes sobre o fato de sua família não possuir moradia, deu-lhe uma resposta incrível.&amp;nbsp; O bigodudo disse-lhe: “que pena vocês não terem o lar!”. A espertinha retrucou, espantada com a ignorância do amigo: “lar nós temos, o que não temos é uma casa pra botar o lar dentro”. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas me esqueci! Como hoje estou ensimesmada e egoísta, Meu Deus! (o texto tendo de sair do papel em prol de minha existência, Céus!). Por isso, esqueci-me completamente! Meu texto hoje é homem. Meu texto hoje quereria ser homem rude, daqueles que servem apenas para cantar mulheres. Daqueles que só pensam nisso. Mas meu texto, cantando mulheres, transformou-se em uma ode aos lares, é isso? E &lt;br /&gt;às casas, claro. &amp;nbsp;Um poema à ciência do concreto e do atmosférico. Elas sabem de tudo, sacaram? Da matemática ao amor. Um beijo então desse homem, um conquistador barato que entende que elas sabem, e não só sentem, e que sentem, mesmo sabendo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Leitor, meu personagem homem resvala em mim e está me sendo meio bruto agora. Bruto porque quer tomar voz e está um pouco chateado devido à forma como eu o trato. Em torno dele, não há cenário porque ainda não consegui criar a história de meus sonhos. Onde estão minhas causas e efeitos? Meus personagens redondos? Minhas cenas? As ações? As descrições? O cenário me é só a brancura de meu papel. Ele fala: &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Tendo de ser homem bruto, pois minha criadora assim me quer, pensei em só cantar mulheres. Mas resolvi cantá-las em sabedoria e traí minha criadora em defesa dos homens. Traí-a e já é fim de texto, estou quase por morrer mesmo. Inevitavelmente morrerei. Já que é assim, não tenho medo de que ela, a criadora, mate-me devido à minha traição! Traí-a, pois cantei a inteligência de mulheres lindas. Não me detive aos seus corpos. Entretanto minha criadora querer-me-ia rude! O que consegui – céus! - foi uma ode aos lares e às casas. Ao concreto que elas dominam. Ao atmosférico que elas detêm. Minha ode significou parabéns, admiro-as! Eu não fui o Francisco áspero. Sendo Chico, fiz música das palavras. Cantei vida, olhos e mulheres. Cantei até morrer. Fui doce em meio ao sal de meu corpo sarado de músculo enrijecido. Tão doce que eles, os misóginos, até riram de mim. E eu os defendi, homens. Fui o homem que devia ter sido.&amp;nbsp; O homem que elas admiram, inclusive a criadora, que está com raiva somente porque, em verdade, quereria era jogar com as letras e fazer refletir com outra espécie de personagem-tipo, dessa espécie de homem bruto que está me lendo agora e rindo inteiro de macheza. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Então eu digo a este homem meu personagem, o único que me foi possível: “Não fui traída por você”. Traí-me a mim mesma. E ao leitor. Porque este texto, homem tão doce, acabou mesmo, a despeito de eu ter jurado que não o faria, sendo um pouco: de mim. É o fim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas, no fim, sempre fica a transcendência das palavras. Que não morrem com meu personagem. Tampouco morrem comigo. Nunca é autobiográfico, nunca é simples assim. As palavras estão além. E sopram. Elas detêm o segredo de &lt;i&gt;chiiiaaar, &lt;/i&gt;aos quatro ventos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=1303693122778225904#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Eduardo Portella.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-1774543962143828019?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/1774543962143828019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=1774543962143828019' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/1774543962143828019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/1774543962143828019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2011/10/sobre-mulher-que-sou-sobre-o-homem-que.html' title='Sobre a mulher que sou.  Sobre o homem que não sou. Sobre o homem que fui. Sobre o mundo que eu queria captar. Sobretudo, sobre a pretensão.'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-6517933867940594415</id><published>2011-09-18T11:54:00.000-03:00</published><updated>2011-09-18T11:54:57.857-03:00</updated><title type='text'>Divagações após um dia bom</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:TrackMoves/&gt;   &lt;w:TrackFormatting/&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt; 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text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Ter sorte, certa inteligência e ser feliz significa saber escolher pessoas a dedo. Minhas pessoas foram – e são - tão bem escolhidas que receio faltar-me amor.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E, quanto mais receio, mais amor tenho. Porque o amor se constrói no incerto bom, que de uma hora para outra vira diálogo bom, que de outra hora para outra vira cotidiano, que logo vira convivência e que, quando se vê (não se imaginava!), mesmo distante se sente amor. O ponto em que a distância não importa é aquele em que, não mais que de repente, &lt;i&gt;essas nossas pessoas&lt;/i&gt;, por fazerem parte de nós, acabam inevitavelmente se transformando em &lt;i&gt;nossas vidas &lt;/i&gt;(e de uma vida que é própria e nossa obviamente nós não nos distanciamos&lt;i&gt;)&lt;/i&gt;. E saber que tudo começou com um receio de dar bom dia ou de contar um segredo. Mas a vida não começa no receio? Aceitá-la toda viva não é atitude sem medo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Um indivíduo só é uno quando pode enxergar em si mesmo uma porção de outros. Só assim, pelo outrem que se vê no seio, surge uma ousadia forte. Uma coragem que é capaz de desfazer todo o medo primeiro de uma vida. A partir dela, todo o trêmulo &lt;i&gt;“sim”&lt;/i&gt; ao ato de viver transforma-se em brado confiante. Todo o receio se esvai então em sorrisos. Sorri quem sabe escolher a dedo. Escolher a dedo a outridade certa – e saber colocá-la em nós - é a sabedoria mais doce. E saber docemente é o que procuro agora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ao fim, resta-me então destinar esse pequeno texto aos Meus. Meus porque estão em Mim e me são a outridade essencial. Ora, meus porque simplesmente... me são. Deve-se perceber que o milagre mais forte está em nós e não além. O milagre mais forte é justamente a possibilidade de caberem tantas pessoas em um único seio.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Descobre-se então - não sem espanto e perplexidade – que viver é simples, o que não quer dizer fácil. Docemente, descobre-se que talvez uma vida inteira seja apenas só - e tudo - isso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;(Luana Borges) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-6517933867940594415?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/6517933867940594415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=6517933867940594415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6517933867940594415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6517933867940594415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2011/09/divagacoes-apos-um-dia-bom.html' title='Divagações após um dia bom'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-2403790049301670485</id><published>2011-09-04T17:31:00.003-03:00</published><updated>2011-09-14T11:15:51.589-03:00</updated><title type='text'>A moça viajante e a vida de sua cozinha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: red; font-family: &amp;quot;Tempus Sans ITC&amp;quot;; font-size: 16pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="color: red; font-family: &amp;quot;Tempus Sans ITC&amp;quot;; font-size: 16pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="color: red; font-family: &amp;quot;Tempus Sans ITC&amp;quot;; font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: none repeat scroll 0% 0% white; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a;"&gt;Luana Borges&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: none repeat scroll 0% 0% white; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Um dia ela se mostrou menos menina. Cortou os cabelos. Pintou as unhas.  Decidiu não mais esperar que ele viesse, cavalo branco que galopa apenas insossas ilusões. Um dia ela fez as malas, poucas roupas vestiam uma vida inteira. Um dia ela matou de saudade quem pensava que ela se manteria ali, mesma cidade de menina de cabelos presos. Um dia seus fios jogados ao vento. Agora lindos ao vento. Um dia suas mãos forasteiras plantaram em outras terras. Seus cabelos peregrinos cortaram praças e avenidas por onde sobrevoavam pássaros de cores. E a boca estrangeira tudo balbuciava na cidade verde do vale longínquo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: none repeat scroll 0% 0% white; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Mas um dia, depois de escrever a vida em ruas distantes, ela voltaria com um diário repleto de histórias. Ela voltaria e faria rir quem ficou esperando-a no concreto cinzento, quem morreu de saudades e de fumaça. Ela contaria todas as peripécias e as verdinhas normalidades cotidianas em doces fios de prosa. Ela desenrolaria, na cozinha de café quente, os novelos vividos na cidade longínqua. Dos novelos, novelas do tamanho da paz. Na cozinha, ela ia desnovelando os caminhos de fada.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: none repeat scroll 0% 0% white; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Desnovelava até chegar o dia em que teria de recolocar a linha na agulha. Teria de ir a outro lugar, tecendo vida. Talvez chegaria a uma cidade laranja de sol oriental. Moça tão breve. Um dia seus fios de novo jogados ao vento, olhando tudo como estrangeiros, descobrindo tudo, tateando tudo, balbuciando tudo. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="background: none repeat scroll 0% 0% white; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Mas é certo que haveria o dia em que a moça enraizaria os seus contos coloridos. Não hoje. Tampouco breve. Não amanhã.  Um dia, sem tempo cobrado. Mas agora ela sabia: tinha de ir rápido ao encontro de outros ares e pares. Tinha de correr e sorrir à falta de sua cozinha que tudo acalenta, onde estão xícaras e bules que conversam prazenteiros. Já era hora: o dia era de ir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small; line-height: 115%;"&gt;Então iria. Mas não sem antes dar o último gole bicado naquele seu café, tão quente. Despedir-se-ia apenas: apenas para poder voltar. E apenas para depois se aquecer– mais uma vez e sempre e mais outra – ao gosto da bebida forte que havia em seu lar, que havia dentro daquele bule de sua cozinha-mãe. Ali, as panelas estavam sempre ao fogo. O tilintar de pratos e de chávenas e de talheres ressoava o vaporzinho de café fresco e o cheiro de frutas. Era como se as panelas fossem sabedoras dos retornos essenciais daquela moça.     &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small; line-height: 115%;"&gt;E a verdade era que quem dava vida à cozinha-mãe eram as pessoas que, como a moça, chegavam viajantes das ruas. Ali, elas desnovelavam seus caminhos de fada.  Sempre chegavam, dependuravam seus chapéus e bolsas e casacos, bicavam o forte café e começavam os novelos de prosa. A cozinha-mãe era inteira ouvidos. Era inteira ouvida também. E, às vezes, as caçarolas olhavam tão confortáveis os que ali estavam que a eles só lhes restava confessar segredos... E rir da vida. Geralmente os risos eram à tardinha.  Sorrisos abertos que saudavam a noite e deixavam as pequenas xícaras sujas, borradas de café. Após os novelos de fios de conversa, a noite terminaria em novela. Ou em um bom livro. Lido com calma antes da próxima viagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-2403790049301670485?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/2403790049301670485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=2403790049301670485' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/2403790049301670485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/2403790049301670485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2011/09/moca-viajante.html' title='A moça viajante e a vida de sua cozinha'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-8048333465555082729</id><published>2011-08-16T11:38:00.002-03:00</published><updated>2011-09-14T11:09:39.510-03:00</updated><title type='text'>Sobre a Angústia da Influência (ou Breve Recado de Uma Amadora)</title><content type='html'>Se eu conseguisse escrever, Clarice, possivelmente isso seria um verso. &lt;br /&gt;Se eu conseguisse escrever Clarice, isso seria um verso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-8048333465555082729?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/8048333465555082729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=8048333465555082729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/8048333465555082729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/8048333465555082729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2011/08/sobre-angustia-da-influencia-ou-breve.html' title='Sobre a Angústia da Influência (ou Breve Recado de Uma Amadora)'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-715323649237778952</id><published>2011-08-06T17:53:00.001-03:00</published><updated>2011-09-14T11:09:53.980-03:00</updated><title type='text'>Notícia de última hora (ou A história da moça do pequi)</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;Cuidado, raiz de um pequi eterno enforcou uma moça ontem. De pequi ela gostava (chegava a gostar muito), de modo que não fora aquele gosto exótico e bom e amarelo que a matara. O que a matara, de fato, foi a eternidade. A eternidade de um pequi enraizado. Ali e sempre. Ela, que era moça passageira.  Tão passageira que a confundiam com pessoa atônita.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-715323649237778952?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/715323649237778952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=715323649237778952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/715323649237778952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/715323649237778952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2011/08/noticia-de-ultima-hora-ou-historia-da.html' title='Notícia de última hora (ou A história da moça do pequi)'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-5450742316702760318</id><published>2011-01-31T14:43:00.004-02:00</published><updated>2011-09-14T11:23:26.669-03:00</updated><title type='text'>A morte da máscara oficial</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="ecxMsoNormal" style="margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i style="font-weight: bold;"&gt;Mário Braz&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Luana Borges&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Terça-feira, nove da manhã, o sol começando a esquentar. Saio de casa, cara de rotina, roupa de rotina, clima de rotina. Bolsos carregando preocupações modernas, ticket de ônibus, telefone, chaves, carteira e contas. O corpo, ainda acostumado ao descanso da cama, vai se desenrolando pela rua, na fumaça e no barulho dos carros, crianças, conversas e hábito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;A cada passo, um pensamento cai, uma preocupação aparece. A falta de algo checa os bolsos, a pasta e o tato do corpo. A falta de personagem pesa sobre a cabeça, como uma autopunição. Como poderia esquecer minha figura dramática? Deve ter adormecido, se enrolado nas cobertas e agora descansa no vazio frio de uma cama vaga. Com que cara esconderei toda a minha irresponsabilidade? Como dissimularei a inexistência de interesse? Meus músculos não saberão como agir. Vão escrever nas linhas da minha face toda mentira escondida nos diálogos fingidos, todo o não consentimento mascarado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Sou o resumo daquele que não concorda e que, no entanto, cala. Por mudez, vinda de pura preguiça, finjo consentir. Internamente, contudo, a revolta é grande. E tola. Em meio às preocupações de meu bolso – o bilhete do ônibus, o dinheiro contado, a conta de luz, as letras secretas de alguém – carrego o retrato 3x4 de um dos meus rostos mais sisudos. Retrato de um olhar que parece querer correr de toda a insanidade que por vezes mentimos não ver, ou a fingimos normal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Outro olhar fugidio. Na rua da vida o moleque vende goma. E a gente desvia os olhos. Optamos pelas fotos claustrofóbicas e enclausuradas dos shoppings. O menino vende bala e ninguém sabe dele. Ninguém quer saber. Assim continuamos tecendo diálogos com quem não nos importa, em um ar condicionado gélido e artificial. Escritório. Óculos. Tapinha nas costas de engravatados cardíacos e desinteressantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Ah! Interessa-me mais o menino e o movimento na rua. Interessa-me aquilo que ninguém percebe. Comove-me o pássaro no fio tenso de eletricidade e o vendedor de picolés que proseia feito poeta. Até me esqueço da conta de luz. Mas o ônibus continua a correr. A coisa não pára. Leva-me à rotina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Outro senhor engravatado. Dez da manhã. Ponto eletrônico. Pasta repleta de documentos. Minhas digitais coincidentes com meu fingimento matinal. A conta grita no bolso e cala meu menino no semáforo. Desperto a figura dramática que deixei embrulhada nos cobertores de minha cama e visto a indumentária habitual. Sorrio com hálito de café à secretária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Entretanto, um dia gritarei. Desequilibrando-me da linha tênue do hábito. Na corda bamba. Meu Deus! Onde está a minha máscara oficial? Caiu no picadeiro. Durante o show de equilibrismo. E me restará, apenas, gritar o convite: “Respeitável público, chamo a todos para escutarem os repentes das ruas!” O senhor engravatado vai embora, indignado. “Pessoas que não têm o que fazer”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Eu então rio a poesia de meu sorveteiro e masco os chicles do moleque que corre. O homem do terno, por sua vez, enxuga o suor. É um senhor respeitável. Chega à sua casa com ar notório. Não encontra a mulher. Ela deve ter ouvido qualquer poema, para além de seu muro alto, metrificado os passos e seguido o som da lira. O homem sozinho, tão respeitado, mas sem rima alguma que soe seus tons. Suado. Enforca-se com sua gravata vermelha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Sem lira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Com ira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Sem lírios&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: small;"&gt;Delírio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #2a2a2a; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #2a2a2a; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;(seus louros não valeram uma vida enforcada).&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-5450742316702760318?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/5450742316702760318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=5450742316702760318' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/5450742316702760318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/5450742316702760318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2011/01/morte-da-mascara-oficial.html' title='A morte da máscara oficial'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-4684094639106630773</id><published>2010-11-05T17:06:00.000-02:00</published><updated>2010-11-05T18:26:59.242-02:00</updated><title type='text'>De uma tarde, por Graça</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; font-family: Tahoma; font-size: medium; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style="font-family: Tahoma; font-size: medium; "&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Se daquela tarde pudesse tirar algum sorriso ou alguma lágrima, tudo isso viria do caminho de volta. Fez a mesma rota de antes, no mesmo carro, o mesmo sinal e quem sabe as mesmas pessoas que caminhavam na praça. A mesma amiga do lado. Chegou. Riu. Tomou aquele mesmo café, apenas aquecido. Riu de novo com a boca de um amargo bom. Serviu. Falou. Foi embora. Graça, menina que via tudo e que não entendia metade das coisas do mundo, porque não entendia metade de si mesma. Apenas sabia que olhava cansada &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;para aquela&lt;/span&gt; moça do carro ao lado, que devia ter trabalhado todo o dia como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;atendente&lt;/span&gt;, seu uniforme branco-vermelho de um pano ralo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A moça elogiara o cabelo de Graça. Um elogio, apenas gratuito. De graça. A menina tinha vontade de elogiá-la também, retribuindo, como tem de ser. Mas não conseguira, &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;semáforo&lt;/span&gt; aberto, apenas reparara no tom vermelho, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;batom&lt;/span&gt; da boca da moça, boca bem desenhada e fina. A moça era bonita. Mas não recebera elogios. O sinal abriu e Graça muito se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;ateve&lt;/span&gt; ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;batom&lt;/span&gt; e às listras branco-vermelhas daquele uniforme. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Ateve&lt;/span&gt;-se tanto que até se esqueceu. Por se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;ater&lt;/span&gt;, esquecia-se com frequência de falar. Mas via tudo. As coisas, naquela tarde, passavam por ela como há muito não acontecia. Um ponto de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;ônibus&lt;/span&gt; lotado de trabalhadores e estudantes, como antes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E, sob o mesmo ar vespertino, era de novo a menina que corria ruas. A vida seria correr ruas tão doces e sujas. A vida seria se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;ater&lt;/span&gt; a postes, luzes, ventos, canteiros, árvores, olhares, sorrisos e até a pessoas inteiras. A vida apressava-se com o sol e dançava com a lua. E, de sol-a-sol, formava-se num eterno presente que pensa o futuro. E, de tão terno presente de vida, Graça, lindamente humana, não o recebia com a devida gratidão. Estava longe dos santos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Restava-lhe então ir. Rir. Mas aquele riso assim sem graça - de quem apenas ia - às vezes divinamente se esquecia de ser amarelo. Aí se engraçava. Graça enchendo-se de si. Engraçando-se aos poucos. Esforçava-se então: não cobraria mais nada de Deus. Tampouco duvidaria da Bondade. Dar-se-ia. Dar-Lhe-ia, apenas grata, s&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style="text-indent: 0px !important; "&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;us&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;gracias&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-indent: 0px !important; margin-top: 0px !important; margin-right: 0px !important; margin-bottom: 0px !important; margin-left: 0px !important; padding-top: 0px !important; padding-right: 0px !important; padding-bottom: 0px !important; padding-left: 0px !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;(&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Luana&lt;/span&gt; Borges)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-4684094639106630773?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/4684094639106630773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=4684094639106630773' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/4684094639106630773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/4684094639106630773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2010/11/de-uma-tarde-por-graca.html' title='De uma tarde, por Graça'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-7818261149190310569</id><published>2010-11-05T15:30:00.000-02:00</published><updated>2010-11-05T15:33:18.138-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Esta é da Clarice Lispector, publicada no Jornal do Brasil, em seu espaço para crônicas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESAFIO AOS ANALISTAS&lt;br /&gt;Sonhei que um peixe tirava a roupa e ficava nu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-7818261149190310569?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/7818261149190310569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=7818261149190310569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/7818261149190310569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/7818261149190310569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2010/11/esta-e-da-clarice-lispector-publicada.html' title=''/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/2449148716461051966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=2449148716461051966' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/2449148716461051966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/2449148716461051966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2010/08/em-meu-peito-catolaico-tudo-e-descrenca.html' title='A prosa impúrpura do Caicó'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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style="text-align:justify;mso-pagination:none;mso-layout-grid-align: none;text-autospace:none"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="line-height: 55px; font-size:-webkit-xxx-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span lang="pt"   style="line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-mso-ansi-language:#0016font-family:BatangChe;font-size:12.0pt;"&gt;Os tênis sujos e surrados equilibram-se, em sua meninice, em brancos meio-fios. Nada podem esperar daquela tarde, além do sol e das horas que brincam de enganar a noite. A rua ainda está laranja de crepúsculo, pois a lua sobe preguiçosa. Satélite danado... Entrou no jogo do relógio, que combinou com seus ponteiros de tardar o dia, e então os segundos e minutos ficaram de cochicho e se esqueceram do ofício mecânico e rotineiro de passar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span lang="pt"   style="line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-mso-ansi-language:#0016font-family:BatangChe;font-size:12.0pt;"&gt;Mas a lua devia ter gostado das travessuras do relógio, pois encontrara um namorado no Japão, um pássaro de olhos orientais e de plumagem lisinha e serena, que uma vez cantara sua beleza. E logo a lua inchou de felicidade e de luz. E ficava assim bem cheia e sorria tantos raios que, aqui na Terra, poetas e namorados e funcionários das fábricas nem precisariam, sob o manto negro da noite, acender suas lâmpadas artificiais. Então, para o moleque do meio-fio e dos tênis rotos, quando as vontades da lua apaixonada coincidiam com a ânsia revolucionária de um relógio proletário que protestava ao não passar, o dia laranja ficava mais bonito e tinha até gosto de suco gelado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span lang="pt"   style="line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-mso-ansi-language:#0016font-family:BatangChe;font-size:12.0pt;"&gt;E o menino sabia de todos os segredos da lua e dos conluios entre relógio e ponteirinhos desaforados. E, nos momentos de crepúsculo, ficava imaginando a dor lunar ao deixar aqueles ares japoneses que cantavam tão doces e rodopiavam ventos de amor. E até se incomodava por sua amiga celeste. Também franzia a testa suada da derradeira corrida, em tom lamentoso, quando se lembrava do parceiro da parede e dos pulsos – sempre condenado, pela ordem do dia, ao trabalho incessante e às revoluções frustradas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span lang="pt"   style="line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-mso-ansi-language:#0016font-family:BatangChe;font-size:12.0pt;"&gt;Mas logo passavam o incômodo e o lamento do guri. É que o laranja era bonito em demasia... e quanto mais lua e relógio demorassem por decidir suas vidas, maior era o tempo em que a cor única, de um céu borrado em vários tons, ficava. E ficava, como garoto que à tardinha se recusa a ir pra casa. A terra corada que não quer ceder. Ficando, tão fugaz. Ficando, apenas em um lapso de tempo em que os tênis do menino conversavam com os pedais terapeutas de uma bicicleta vermelha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span lang="pt"   style="line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-mso-ansi-language:#0016font-family:BatangChe;font-size:12.0pt;"&gt;E, sobre duas rodas, ele corria tão doce! Tão vulto vermelho imerso, imenso, no &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;laranja-fim-de-tarde&lt;/i&gt; de uma rua tão dele. Cabelos de vento, menino todo de vento, cortava veloz a cor que findava o dia. E dava boas-vindas à lua. Ouvia-lhe dizer da saudade passarinha do namorado. Falava-lhe sobre o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;sentir falta&lt;/i&gt;, essencial. E ele ainda soprava um breve“relaxa”ao companheiro relógio.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Pois nada no mundo, naquele momento, podia se rebelar contra o que é sempre tão natural. Viria noite inevitável.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span lang="pt"   style="line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-mso-ansi-language:#0016font-family:BatangChe;font-size:12.0pt;"&gt;E meu moleque sabia de todos esses mistérios. A testa suada. A cabeça fria, de vento, sobre a bicicleta. E seus pedais giravam. Como as voltas do mundo. E nada podia parar, sob pena de que os laranjas - breves e bonitos - não fossem mais tão rotineiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="pt"   style="line-height:150%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-mso-ansi-language: #0016font-family:BatangChe;font-size:12.0pt;"&gt;(Luana Borges)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-128560319736471722?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/128560319736471722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=128560319736471722' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/128560319736471722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/128560319736471722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2010/07/o-menino-sonhador.html' title='O menino sonhador'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-6420593894237981294</id><published>2010-06-19T19:31:00.000-03:00</published><updated>2010-07-19T14:40:01.625-03:00</updated><title type='text'>Uma cidade</title><content type='html'>Não digas onde acaba o dia.&lt;br /&gt;Onde começa a noite.&lt;br /&gt;Não fales palavras vãs.&lt;br /&gt;As palavras do mundo.&lt;br /&gt;Não digas onde começa a Terra,&lt;br /&gt;Onde termina o céu.&lt;br /&gt;Não digas até onde és tu.&lt;br /&gt;Não digas desde onde és Deus.&lt;br /&gt;Não fales palavras vãs.&lt;br /&gt;Desfaze-te da vaidade triste de falar.&lt;br /&gt;Pensa, completamente silencioso,&lt;br /&gt;Até a glória de ficar silencioso,&lt;br /&gt;Sem pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília Meireles&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após algum tempo sem postagens - apesar de muitos escritos, fase de andanças, viagens, histórias e silêncios - vai aqui mais um texto. Em minhas gavetas, há outros tantos. Ainda não soube explicar porque este aqui mereceu o blog. Talvez não merecesse. Enfim, pude me aquietar colocando-o aqui. Foi escrito - e enviado - a uma amiga que há muito me fizera ter necessidade de ir ao papel e rabiscar pensamentos. Escrevi-o na pequena cidade de San Pedro de Atacama, região desértica do Chile, já no alto da Cordilheira dos Andes. Por esses tempos, de mochila nas costas, eu apenas era... uma viandante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há uma cidade mágica que já deve ter virado parte dos seus sonhos. Uma cidade para onde você vai, cansada e muda e só, a cada bofetão que leva quando está andando por aí. Uma cidade que de tão simples ficou sendo só sua. Ela tem casas de barro. Ela não tem asfalto. É simples como é simples este meu texto pra você. Porque tinha de ser assim, porque lá do alto o que se vê mesmo é a pequenez das coisas que, de tão reduzidas, não conseguem mesmo apresentar qualquer nível de complexidade e detalhismo. Na cidade tem vento. Tem pessoas. Tem chita. Tem cachorro. Tem tudo que se basta para uma vida. A água é pouca e suficiente. A areia é muita e suja os olhos. A cidade tem tudo porque não excede. Porque o excesso faz o andarilho se perder. Deve-se andar por ruas essenciais. O excesso pode levá-la a incompletude, minha querida. A cidade tem tudo porque é vida das mais escassas. Mas é vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá, o silêncio é muito e te preenche de pessoas. Você sabe que está só, meu bem, oh, você sabe que sabe disto: que sempre estará só - e com todo mundo - porque a vida nunca foi ter uma pessoa. Quem desejou possuir um ser humano só para si (“e quem nunca desejou?”, como diria aquela nossa outra amiga Clarice) foi aquele quem primeiramente comeu a maçã. E depois todos deram uma mordida porque é muito fácil recair no erro dos outros, a culpa nunca será mesmo de ninguém, pois a burrada é geral e assim dá pra sorrir tranquilamente. Pois volto ao que falava: você sabe que está só, mas que (e aí está o segredo bom) todo mundo anda com você. Você não deve estar entendendo meu paradoxo. Também me expliquei mal. É que a cidade é muito simples e minha alma ainda está nela, por isso não consigo falar como poetas ou filósofos, que ficaram esnobes depois de um tempo.&lt;br /&gt;Explico-me: o que digo é que, aqui do alto, o vento me sopra que você pode amar os outros, ver olhos bonitos e verdadeiros, dar a mão a eles, acariciá-los. A vida só tem sentido por esses olhares: pupilas de mãe, de pai, de irmãos, de amigos, de namorados, de mestres e até de pessoas em segredo. Mas eu disse: “você está só”. É que você não pode querer possuir esses olhos, meu bem. Possuí-los é torná-los doidos, endiabrados, míopes. Pupilas aflitas presas em cavidades orbitárias. Pupilas que não percorreram mundos, que não experimentaram outras texturas de cores e traços e que agora se desesperam. Você não pode levá-las consigo. Tem de andar só, porque não precisa de um olho guia triste na coleira. É melhor tê-lo solto e mesmo assim olhando por você.&lt;br /&gt;E eu já estou com muitas delongas. É porque o sol da cidade me fez perceber essas coisas que lhe falo agora. Raios solares tão fortes, em meio ao silêncio desértico de minha mais nova cidade, cochicharam comigo e eu precisava fofocar segredos: partilhar minhas descobertas, brincar de contá-las, reinventá-las.&lt;br /&gt;Disse que aqui tudo é escasso, mas faço uma correção nessas mal tecladas linhas: aqui do alto, o único excesso é feito de areia e silêncio. Oh, um excesso que não excede, que não passa. Não passa porque faz com que o andarilho - que se senta nessa areia infinita - percorra necessariamente sua própria mudez. Psiu! O vento me sopra que eu já estou falando demais e que, nesse ofício mecânico de abrir e fechar a boca, esqueci-me justamente de percorrer silêncio. Nessa cidade, esse é o meu dever de casa. Se eu não cumpri-lo, o vento briga comigo. Então digo mais nada. Saiba que apenas o vento me sopra.&lt;br /&gt;Beijos,&lt;br /&gt;Luana Borges.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-6420593894237981294?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/6420593894237981294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=6420593894237981294' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6420593894237981294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6420593894237981294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2010/06/nao-digas-onde-acaba-o-dia.html' title='Uma cidade'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-4704586375193753626</id><published>2010-02-25T15:11:00.000-03:00</published><updated>2010-02-25T15:13:39.039-03:00</updated><title type='text'>Alta costura</title><content type='html'>Cansei de poesia pesada&lt;br /&gt;Mas resta tirá-la de mim&lt;br /&gt;Estirpá-la em tiras&lt;br /&gt;Retalhar a tensa palavra&lt;br /&gt;E dos meus fardos&lt;br /&gt;Tecer roupas de cetim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana Borges&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-4704586375193753626?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/4704586375193753626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=4704586375193753626' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/4704586375193753626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/4704586375193753626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2010/02/alta-costura.html' title='Alta costura'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-3664531981638608895</id><published>2010-01-06T19:48:00.000-02:00</published><updated>2010-08-18T09:50:45.740-03:00</updated><title type='text'>Clarice e Cecília (aquém e além de palavras)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Suas saias já não mais roçavam complacentes pela casa, já não mais tinham aquela doçura e singeleza do rosa chita de bordados delicados. Ela já pudera gritar alto e, muitas vezes, até perdia a razão e o senso por ter vibrado a garganta veemente. Aquelas suas cordas vocais às vezes eram tão opressoras que ofendiam, finas e agudas e humanas, as pessoas que ela mais amava, logo aquelas que ela não tolerava de tanto amor.&lt;br /&gt;Ah, ela também tinha a felicidade de quem trabalha, ordeira e cotidiana, vinda da fábrica do expediente. Ela adorava escritoras, mas as lia pouco, na verdade lia quase nada. Era porque sempre dava uma loucura por escrever. Então começava um livro, parava, escrevia besteiras e retornava depois. Demorava-se nele como quem se perde. Como quem quer se perder. Era ignorante de olhos marejados. Uma íris amarela, que abrigava pupila aflita e circundante, e logo se misturava à chuva de lágrimas que vinha por qualquer coisa.&lt;br /&gt;Ainda acreditava que lua bonita, em noite de cidade suja, aliviava o cansaço. E chorava contida como se a água salgada de seus olhos limpasse o concreto urbano. Era Cecília. Amiga de Clarice com quem conversava uma linguagem delas próprias, que só pessoas bem estranhas iguais as duas iriam entender e rir. Aliás, elas riam por horas ao telefone. Riam no tráfego de carros sisudos. Riam nas ruas antigas de um lugar histórico. E Cecília tinha a amizade de Clarice, que a olhava profunda, sem se revelar. Apenas olhava assim de um jeito meigo, que logo ficava perigoso, porque afinal se revelar deve ser muito perigoso mesmo.&lt;br /&gt;Cecília escolhia sempre o mais difícil e continuava. Feliz. Sabia que mentiam. Oh, também sabia perfeitamente que aquele homem não era assim tão bom. E, apesar de não gostar - e de não achar justo - aceitar o erro feio e repetido e egoísta de alguém, era mais fácil fingir acreditar em mentiras. Então inventava suas próprias histórias. Fantasiava carinhos. E parava de escrever quando não sabia mais quais palavras usar. Ou quando ficava escuro demais para achar as letras. Ou quando vinha a preguiça de dizer frases nas entrelinhas do breu. Facilmente se cansava. E pronto. E só.&lt;br /&gt;E só, muda e linda, lembrava Clarice, de olhos fechados, os cabelos escorridos na chuva, os pingos fortes, os ventos bons, as mãos nos bolsos. Elas estavam cerradas e Cecília ia. Em direção a qualquer lugar. Em direção ao que devia ser dela. Carregava uma incerteza tão bela sobre o futuro – embora soubesse que alguma coisa, de fato, seria algum dia dela – que a fazia olhar fixamente ao longe, por entre o aguaceiro que vinha do céu.&lt;br /&gt;Ela apenas desejava acompanhar os ventos promissores do sul. Com eles chegaria enfim àquele povoado da serra, ou quem sabe à paisagem erma dos campos mineiros, ou talvez se depararia com os prédios antigos, alaranjados de pôr-do-sol, da capital fria de cafés quentes. A verdade é que ela só quereria chegar a qualquer lugar, com a graça de um passageiro consciente de seu estado de passagem.&lt;br /&gt;E Cecília conhecia pouco, menina de tudo, mas sabia que a vida era pessoas que iam e vinham, sempre efêmeras, mas que se demoravam eternas nos corações tolos. Por isso escrevia. Escrevia gentes. Escrevia céus cinzas ou sóis escaldantes. Escrevia suspiros demorados ou palpitações terríveis. Fazia chover letras a fim de fixar as coisas. Escrevia para não perdê-las. E o fugidio então criava raízes no terreno firme e doido de seu coração, já assoberbado de tantas batidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Luana Borges)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-3664531981638608895?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/3664531981638608895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=3664531981638608895' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/3664531981638608895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/3664531981638608895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2010/01/clarice-e-cecilia-aquem-e-alem-de.html' title='Clarice e Cecília (aquém e além de palavras)'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-1693336584430024561</id><published>2009-11-01T19:19:00.000-02:00</published><updated>2009-11-01T19:29:56.353-02:00</updated><title type='text'>Um período clariceano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ninguém saberia que aquelas palavras agora eu conhecia. Mas eu teria que carregá-las sozinha, para não magoar o que amo. Eu teria que carregá-las sozinha porque as roubei. Mas ora... Uma vez roubadas, elas eram minhas. Mas não eram minhas por direito e, dessa forma, o que amo teria plena razão de ficar enraivecido. Por isso, eu as carregava sozinha e perpetuava um crime que era só meu, que somente eu sabia e que ainda não tinha encontrado terreno firme nas terras indóceis do coração.&lt;br /&gt;Essas terras eram perigosas e meu crime as percorria, doce e tristemente. Percorria-as revelador e torcendo para encontrar um trecho seguro dentro de mim. Porque se não encontrasse, aí o mal estava feito e as terras indóceis do coração subiriam à boca e eu, humanazinha sempre tola, teria a necessidade – o desejo irrefreável – de falar aos outros sobre o meu crime. Mas seria magoar. E eu não queria magoar a quem quer que fosse. Muito menos ferir o que amo, àquela rosa amiga, de quem roubei as palavras.&lt;br /&gt;Haveria mesmo necessidade de revelar qualquer coisa? Afinal, as rosas iriam um dia desabrochar e ver que o medo só combina com o desconhecido. Mas eu já as conhecia bem, tão bem que suas pétalas nem precisavam abrir a boca para eu entender os sentimentos inacabados e sigilosos. Eu as conhecia, contudo não a um ponto de tê-las como certas. Conhecia-as a um ponto de entender a ponta, apenas um pedaço pequeno de ponta, do segredo. Entendia apenas um relance do olhar. Não a visão completa. E essas rosazinhas me ensinaram – em um momento em que não havia tempo de aprender e em que eu não podia estar disposta às descobertas - que não há mal nenhum em não saber.&lt;br /&gt;Aliás, ensinaram-me mais: não saber de tudo e não revelar de imediato são atributos indispensáveis à condição de carinho, cuidado e amizade. Porque há de se descobrir aos poucos, na caminhada. Há de se encontrar os mistérios cotidianos em míseras pontas de olhar. Há de se entender, sem falar. O silêncio é condição de amizade*. E há de se cuidar do que não foi explicado porque se a coisa não se explicou foi por zelo. E zelo pede tato. Os sentimentos não se apresentam acabados e definidos e expostos. O enigma é o que há de mais certo. E as pessoas têm direito a terem seus segredos.&lt;br /&gt;Mas eu, humanazinha novamente, desrespeitei essa regra. Burlei o segredo de minha rosa, tão nova, mais nova que eu, e que por isso exigia tanto cuidado. Roubei o segredo e agora carrego, sozinha, esse crime. Há de se pagar. Até que minha rosazinha desabroche e veja – sem medo, porque nos conhecemos a ponto de desvendar a pontinha sempre incerta de mistério - que suas pétalas podem falar. Não tudo, porque parte do enigma é essencial. Mas podem falar sem preparar seus espinhos.&lt;br /&gt;Aí eu não teria de revelar absolutamente nada porque parte do segredo roubado, por si mesma, se revelaria normal e fugidia, brotaria do dia, dos mistérios cotidianos. Mas, agora, unicamente espero que a rosa mais nova perdoe a curiosidade imprudente e desrespeitosa de quem ainda não aprendeu a zelar.&lt;br /&gt;(Luana Borges)&lt;br /&gt;*Clarice Lispector&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-1693336584430024561?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/1693336584430024561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=1693336584430024561' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/1693336584430024561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/1693336584430024561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2009/11/um-periodo-clariceano.html' title='Um período clariceano'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-1400798514437362787</id><published>2009-07-01T00:32:00.000-03:00</published><updated>2009-07-01T00:33:02.511-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meus vinte anos passam agora como se fossem trinta ou quarenta. Isso é besteira! De cara já vou dizendo que este texto não merece ser lido. Não quero me comprometer com você, leitor preguiçoso e que exige códigos inteligíveis. Você me cansa de explicar tudo didática e perfeitamente. Na verdade, estou mesmo é cansada de mim, sempre comprometida com os pormenores de todas as explicações. Minha vida é tola e exige de mim certa organização. Mas, no momento, a única coisa que posso esperar é meu total devaneio, ininteligível e que se perde por amar, odiar e se revoltar demais. Meu pior erro é sentir e tudo o que queria na vida era executar ações sem pensar. Os tolos têm mais sentimentos e sofrem por coisas que, de tão pequenas, os inteligentes que otimizam o tempo não conseguem nem percebê-las. Meu pior erro é sentir. Almejaria apenas uma vida simples de trabalho até às seis da tarde. À noite, só quereria desejar um programa de televisão que me levasse ao ápice da ignorância, cheia de felicidade doce e plena... E ficaria até às dez com filhos e amigos, quem sabe com uma chuva caindo e me fazendo falar da vizinha ou do cunhado.  Eu não quero ser entendida, agora. Como disse, cansei-me de me explicar. Cansei-me desse outro organizado. E minha casa estremeceu quando apenas vi que poderia chorar por três horas sem motivo aparente ou quando vi que os olhos enchiam de lágrimas por desejos proibidos ou ainda quando percebi que o melhor da vida é exatamente aqueles momentos em que nada fazemos e apenas sentimo-nos viver, olhando-nos uns aos outros e respirando. E se viver exige de mim tal simplicidade, estremeci porque não a consegui.   Minha casa, construída sempre com tijolos tão seguros e milimetricamente distribuídos, caiu quando vi que estes tempos tristes me separaram das coisas simples. Separaram-me pela culpa. Esse diabo sempre me perseguiu. Por que um ser humano tem de se culpar por passar a tarde olhando nuvens e sol, se isso é a vida e nada mais? Pela culpa, não me permiti parar e olhar calmamente. Meus olhares, mesmo quando não apressados por já terem cumprido o expediente do dia, sempre foram aflitos e sedentos de algum carinho pausado. Eles olharam a vida, sim, e captaram alguma beleza singela.  Mas a olharam e logo pensaram no que deviam fazer para ganhá-la. Veja só! Para que ganhar uma vida que, todavia, já me foi dada? E disso veio meu cansaço de jovem que nasceu velha.  E disso veio minha recente desorganização mental. Porque resolvi curtir meu presente que me foi dado e o que ganhei foi uma gastrite, recado de uma culpa que me desafia todos os dias. Mas já nem me importo. O que busco, hoje, é apenas o melhor de mim. O que conseguirei, talvez, será apenas esse estágio de contemplação: uma observação atenta e calma das coisas que passam e uma presentificação interna das coisas que ficam. Talvez isto seja a única coisa que posso e que tenho o direito de esperar de mim. Tudo o que quero. E você não precisa me entender. Sei também que minha casa caiu. Mas ainda tenho um terreno e, nele, sob a luz das estrelas do céu, estou mais desprotegida e mais desesperadamente viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana Borges &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-1400798514437362787?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/1400798514437362787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=1400798514437362787' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/1400798514437362787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/1400798514437362787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2009/06/meus-vinte-anos-passam-agora-como-se.html' title=''/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-4942806797937737869</id><published>2009-07-01T00:09:00.000-03:00</published><updated>2010-07-19T14:37:47.940-03:00</updated><title type='text'>Sobre a vida de uma menina*</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No quintal da minha infância, mamonas e mamões. Talos que serviam de canudos para bolhas de sabão. Dois vizinhos que brincavam ao meu lado. Minha irmã com seus lindos olhos. Os azulejos floridos, o grande tanque cheio de água que cheirava à roupa molhada e à umidade das três da tarde. Havia pães de queijo e biscoitos. Na rua de minha infância, logo acima de minha casa, tios e primas. Um armazém de balinhas gratuitas. Depois, no neon de minha adolescência, letreiros brilhavam à noite. Asfalto molhado e risos amigos. Danças e xis-salada. O centro da Capital. Talvez um violão e um menino bobo que me olhava em misto de irritação e encanto. Grandes shows e tolos protestos. Encenações em palcos comoventes. Nas luas de minha adolescência, talvez também amores desperdiçados. Tudo pelo simples prazer de ser eu assim, tão livre. Agora, chego à labuta de minha juventude. Responsabilidades. Trabalhos em meio a pessoas que também conseguem &lt;em&gt;ser &lt;/em&gt;uma vida inteira e carregar, em seus olhares laboriosos, todas suas felicidades particulares. Bom que ainda existam seres assim. Bom que eu também, nos computadores e nas matérias de minha juventude, consiga ainda ser aquela antiga menina da bolha de sabão. Sorriso torto e franco e aberto. Daqueles cheios de dentes que quase expõem o ciso. Mas no meio da tarde quase adulta, sob intenso sol e incessante trabalho, será que ainda conseguirei respirar e pegar mamonas para brincar, mesmo que mentalmente, com todos os meus? Com a força de minha paixão, espero que sim.  Tudo porque o que está ainda no meu íntimo, na verdade, são os azulejos floridos de minha infância e os grandes olhos de minha irmã.  Mesmo com todas as mudanças, espero sempre ter em mim essa menina boba. Preciso dela porque ela está nos meus olhares felizes e nas minhas pupilas cintilantes. E realmente não importa se já descobri que as balinhas não eram gratuitas, pois minha tia as pagava mensalmente para o meu consumo feliz. Sempre terei a necessidade de manter minha bobeira, ingênua e inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* "mas menina é uma palavra tão bonita!" stephani echalar diz a giovanna e a luana, em conversa após o almoço. O título ia ser sobre a vida, menina veio só por causa da frase de steph... &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luana Borges   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-4942806797937737869?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/4942806797937737869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=4942806797937737869' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/4942806797937737869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/4942806797937737869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2009/06/sobre-vida-de-uma-menina-no-quintal-da.html' title='Sobre a vida de uma menina*'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-6726679447418627918</id><published>2008-10-14T23:21:00.000-03:00</published><updated>2009-07-01T00:22:44.594-03:00</updated><title type='text'>O rio ou a travessia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele perdeu o fôlego, mas não queria chegar à margem de lá do rio. Fatigava-se. Entre as águas revoltas, afogava-se, tossia, cuspia um caldo amarelado - mistura de água e restos de comida que saia de seu esôfago. Agitava-se em meio ao turbilhão molhado. Rio feroz e lamacento. Mas mesmo assim, queria ficar lá, cansando-se. Lutando contra correntezas, exercitando a força dos músculos em uma queda de braço desigual com a força divina da natureza. Mantinha-se firme dentro do rio. Fragilizado. Paradoxal.&lt;br /&gt;Sim, sabia nadar. As crises na água, os acessos de tosse, o cuspe fatigado se davam apenas quando vinham as fortes correntezas – que levavam sua força e esperança. Nadava depressa. Estranhamente, ele não queria chegar à margem de lá. Quando tossia muito, procurava um caminho paralelo à outra beirada do rio. Sabia que as paralelas não se cruzavam. Assim, acreditava não correr riscos de ser ver na encosta. Mas nadava depressa para onde? Ele não sabia. E acreditava que pensar nisso era coisa de filósofo. De desocupado. Ele era ideologicamente capitalista. Tempo é dinheiro. Pensar gasta tempo. Executa! Executa! Faz logo, sem se perguntar muito! Onde estão os rendimentos?&lt;br /&gt;E sem mais perguntas, executava os movimentos de braços e pernas, mantendo-se na água. Mas nem sempre era a tal da agitação molhada. Às vezes, o rio se tornava calmo. Lento. Parecia a tranqüilidade feliz trazida pelo amor de uma donzela. E ele sorria. Embasbacado. Amava a água. O rio! Ah! O rio era lindo! Os peixes nas suas entranhas traziam a seiva para a vida. E animava-se em nadar, fazia movimentos vorazes, queria abraçar aquelas águas lindas. Vontade de vida! De exercê-la sem medo, cultivando somente paixões.&lt;br /&gt;Nadava. Nadava. Nadava. E estava sempre em meio à antítese alternada. Entre as correntezas fortes e a calmaria represada. Mas um dia seus músculos anciãos foram murchando. A carne em pelancas. Isso não podia! Fizera sempre muitos exercícios! A fragilidade do corpo humano não podia acometê-lo! Com ele não! Sim, meu caro. O próprio rio o desgastou. Vida fatigada. A carne já quase podre, quase pó. E não conseguia mais nadar. A ferocidade das águas barrosas levava-o para a tão temida beirada do rio. Ele ainda tentava lutar. Tinha medo! Urinou. Amareladamente. Covardemente (era preciso muita coragem para assumir essa covardia). Nas águas aquecidas pelo sal de seu corpo, ele nadava – olhos fechados para não ver a margem - contra a corrente. Corrente natural da vida. Fluxo divino.&lt;br /&gt;Na margem, morreu. As águas do rio da vida ficaram calmas novamente. Marasmo. Elas apenas esperavam o próximo nadador que iria se debruçar na encosta sonhando em ter, no sono eterno, outro rio por onde navegar. Sonhando em ver outras águas do lado de lá. Sonhando em se jogar em novas correntezas. Querendo mais a antitética aventura da vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Luana Borges)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-6726679447418627918?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/6726679447418627918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=6726679447418627918' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6726679447418627918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6726679447418627918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2008/10/o-rio-ou-travessia.html' title='O rio ou a travessia'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1303693122778225904.post-6380636402195540763</id><published>2008-09-29T18:24:00.000-03:00</published><updated>2008-10-14T22:43:38.329-03:00</updated><title type='text'>Eu-flor</title><content type='html'>Minha matéria-prima feita de&lt;br /&gt;paisagens com pássaros desafinados,&lt;br /&gt;voantes em céus quentes.&lt;br /&gt;Nas rosas metaforizadas,&lt;br /&gt;Sou só eu&lt;br /&gt;E eu só!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentimentalismos no sertão&lt;br /&gt;De poucas flores&lt;br /&gt;Resistentes.&lt;br /&gt;No sol a pino&lt;br /&gt;E no vento rude&lt;br /&gt;Persisto flor&lt;br /&gt;Louca por idéias novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desamparada&lt;br /&gt;Murcho no sol escaldante&lt;br /&gt;Pelos meus desejos cansados&lt;br /&gt;De que um dia ainda chova em mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Luana Borges)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1303693122778225904-6380636402195540763?l=tinindo-trincando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/feeds/6380636402195540763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1303693122778225904&amp;postID=6380636402195540763' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6380636402195540763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1303693122778225904/posts/default/6380636402195540763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tinindo-trincando.blogspot.com/2008/09/eu-flor.html' title='Eu-flor'/><author><name>Brain Storming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08927762833958878706</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_CUMLSUckk0k/SOFZmh9h1fI/AAAAAAAAAA0/DAAlQ5BKmys/S220/ATgAAAAaDzpFCC1C2LVvezQyZhlX6pTGLiTLlkXZtn0_pcbbHfbqas00r5GepRsGv2IHMQK_W5jaZmm2nGqWjOPXmGrbAJtU9VC6Rzqj3indfJS8EBxSPMYFQTwE7Q.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
